A juventude eleitoral brasileira

Mudar a realidade política do país, através da vontade popular, seria a dinâmica perfeita, num cenário democrático considerado recente.

As eleições brasileiras, a partir da Constituição de 1988, chamaram atenção pelas inovações, permitindo aos jovens de 16 e 17 anos o direito de votar de maneira facultativa, implantando em seguida a urna eletrônica.

O que se esperava era o crescimento do engajamento dos jovens nas discussões políticas do país, mas em três décadas, infelizmente, tal situação não ocorreu, pois o envolvimento  com a política não aumentou, pelo contrário, instaurou-se uma apatia política com um profundo desinteresse pelo processo eleitoral, gerando aversão a ideia de realizar o cadastro em cartório eleitoral para se tornar eleitor.

Na linguagem dos jovens tornou-se comum desabafos como: …”Enfrentar uma fila gigantesca para tirar o título e acordar cedo para votar, estou fora”…

…”Meu voto não vai modificar nada, os políticos não prestam, só fazem roubar o país”…

Tal realidade cresceu no imaginário dos  brasileiros, ficando bem explícito nas eleições de 2018. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o total de jovens com 16 e 17 anos no Brasil era de 6.489.062, mas apenas 1.400.617 realizaram o cadastro eleitoral, apenas 21% do total.

Eis um quadro desolador para um país tido como democrático, sendo reflexo da formação intelectual dos  adolescentes, cada vez mais ameaçada, pelas propostas curriculares das escolas.

O objetivo de preparação para o ENEM, acaba reduzindo a possibilidade de leituras mais abrangentes, diminuindo os horários de estudo de disciplinas como: Filosofia, Sociologia, Antropologia.

Além disso, a manipulação ideológica da mídia, os escândalos de corrupção nos principais partidos do país, a massificação das fake-news e o crescimento do movimento escola sem partido, contribuíram para alienar os pensamentos dos jovens.

O contexto ficou caótico, ao ponto de confundirem conceitos como: patriotismo, nacionalismo, liberalismo, conservadorismo, atrapalhando até o entendimento de direita e esquerda na política.

Mesmo sem o conhecimento de noções básicas sobre política, os jovens passaram a usar as redes sociais, postando verdadeiras aberrações fazendo muitas vezes, apologias a discursos racistas, machistas, misóginos, homofóbicos, desrespeitando os direitos humanos.

Todavia, apesar do momento desfavorável, existem soluções a médio prazo, através de reformas curriculares com mais espaço para as disciplinas de conteúdos sociais, amparadas pelo suporte da leitura com amplos investimentos em bibliotecas, afinal, os jovens estão saindo do ensino médio sem ouvir falar em: Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Anísio Teixeira, José Américo, Ariano Suassuna, Josué de Castro, Caio Prado Jr, Leandro Konder, Sérgio Buarque de Holanda, Milton Santos, Rui Barbosa dentre outros.

O remédio para curar a apatia política seria a ingestão de doses de conhecimento, pois os livros não mudam o mundo, mas mudam as pessoas e as mesmas são capaz de modificar a realidade. Viva a leitura!

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