COLUNA DO ÉSIO BARROS: O Pseudo Patriotismo

Recentemente, nos deparamos no imaginário político nacional com a expressão patriotismo sendo falada pelos jovens como ideia vanguardista, algo moderno, onde só os mais engajados teriam condições de vivenciar.

Em pouco tempo, as cores representativos da pátria brasileira, o verde e o amarelo, outrora em desuso, passaram a fazer parte da indumentária dos indivíduos nas discussões políticas do país, situação semelhante aos jogos da seleção nacional em copas do mundo.

Em trinta e três anos de redemocratização, nunca uma reação política tinha sido tão avassaladora quanto nas eleições de 2018. A onda patriótica tomou conta das maiores cidades brasileiras contudo, É preciso refletir sobre tal paradoxo criado na sociedade, tendo em vista que vestir verde amarelo, levantar a bandeira do país, cantar o hino nacional, falar palavras de ordem não deve ser compreendido como uma retomada do sentimento patriótico.

Patriota é a pessoa que ama sua pátria, que se esforça para ele ser útil, agindo em seu favor ou em sua defesa. Infelizmente, a cultura política do brasileiro não condiz com o conceito citado, levando em consideração a forma como as pessoas decidem voltar, ou seja, não avaliam bem as propostas e sim a vontade individual que obterão com a vitória do seu candidato.

A cultura da voltagem, do jeitinho, da venda do voto, permitindo que grupos políticos continuem saqueando os cofres públicos distorce a ideia de patriotismo. Ser patriota, primeiramente, refletir sobre O seu papel como cidadão do país, procurando se doar cotidianamente aos interesses nacionais.

Como falava John Kennedy, presidente dos Estados Unidos,nos anos 60, “não pergunte a sua pátria o que ela poderá fazer por ti pergunte o que tu podes fazer por ela“.

A vontade repentina, após o conhecimento de escândalos de corrupção protagonizados por um determinado partido político, de vestir as cores da bandeira nacional, cantar o hino, participando de passeatas eleitorais, não deve ser entendido como o crescimento do verdadeiro sentimento patriótico.

Para ser considerado patriota é preciso conhecer as reais demandas da sociedade e se posicionar para ajudar a satisfazer-las. Exemplos como exercício de carreiras profissionais para atender as necessidades do país, empresariar com sustentabilidade, reduzir as desigualdades sociais com o transparência, abrindo as contas nacionais ao conhecimento de todos.

A mera demonstração dei satisfação não é suficiente para intitulação de patriota. Patriotismo é um sentimento sublime, expressado em guerras, como no povo paraguaio que lutou até o último homem morrer, no repovoamento da sociedade japonesa pós segunda guerra quando as mulheres cederam o seus ventres para engravidar, dentre outros.

O questionamento a ser feito deveria ser: como brasileiro o que estou verdadeiramente fazendo pelo meu país, além de procurar sobreviver? Será que faço o meu melhor na minha área de atuação profissional direcionando para coletividade? Que legado deixarei para os mais jovens?
Respondendo os com sinceridade teremos a real noção do nosso patriotismo, tomando cuidado para não confirmar A ideia do escritor Nelson Rodrigues, quando afirmou que somos “uma pátria de chuteiras“. Afinal ser vencedor em copas do mundo de futebol nunca ajudou a resolver os problemas nacionais.

ÉSIO AUGUSTO DE BARROS

One thought on “COLUNA DO ÉSIO BARROS: O Pseudo Patriotismo

  1. De fato o patriotismo de copa do mundo e das vitórias do saudoso A. Senna da Silva, aflora em todos, o de cantar o hino em menor número, votar e acompanhar seus mandatários menos ainda; Se formos mais exigentes vamos afunilando a estatística.
    Em todo caso estamos vivendo um momento único em nossa democracia, estamos polarizados sim e com a balança favorecendo justamente quem tem acompanhado seus mandatários. As redes sociais têm sido de uma grande importância neste contexto.
    Fomos as ruas para derrubar um projeto de poder lulopetista, fomos as ruas eleger alguém com apenas sete segundos de TV, compartilhamos: “mêmes”, críticamos: “mi mi mis” discordamos de meios de comunicações dos mais fortes, desvendamos mentiras agora fake news.
    Sim creio estamos mais informados, mais seletivos é confortavelmente patriotas e apenas confortavelmente.
    Mas chegaremos ao próximo estável fazer o melhor de si para os outros compatriotas.

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