COLUNA DO ÉSIO BARROS: Você é de esquerda e não sabia

Eita o mercado venceu!, No mundo ocidental tal premissa parece óbvia, mas a mesma carrega um contexto muito complicado para a coexistência em sociedade.
Os valores do mercado como: a lei do mais forte, os vencedores são os mais competentes, que vençam os melhores, criam uma verdadeira seleção social. Aos olhos de muitos, uma situação natural.

Contudo, é necessário compreender para qual tipo de sociedade tais valores fazem sentido, pois no mundo contemporâneo, apenas os países desenvolvidos podem desenvolvê-los sem constrangimento, já que tudo funciona e as pessoas têm as mesmas oportunidades (Saúde pública, escolarização, trabalho, renda elevada, patriotismo, nacionalismo, seguridade social).

Torna-se até sem sentido discutir políticas de direita ou esquerda, considerando que todos têm os mesmos objetivos, olham para a mesma direção ( o bem da nação).
As relações de poder, embora existam, não sobrepõem os valores éticos e morais da nação. Em países como os Estados Unidos, os projetos da direita ou da esquerda não modificam as condições estruturais do país (cidadania, produtividade, seguridade Social etc).

A discussão ideológica passa
a fazer mais sentido nos países subdesenvolvidos, onde a população não têm as mesmas oportunidades, sendo expostas a uma verdadeira guerra pela sobrevivência (saúde pública, escolarização, trabalho, distribuição de renda, seguridade social).

Nesse contexto, os valores do mercado não acrescentaram muita coisa, pois não fazem sentido para a maioria das pessoas, que se sentem órfãos da Pátria, injustiçadas, sem proteção alguma. Tal situação acaba justificando a dicotomia entre política de esquerda e direita.

Num país como Brasil, os grupos que representam a direita (oligarcas, aristocratas e conservadores) passaram 502 anos controlando os destinos do país e mesmo assim, nunca conseguiram promover saneamento básico, suprir a fome, distribuir terra, renda, garantir cidadania e seguridade social para a população. “ Nunca deu certo”.

Iniciamos como colônia de exploração e permanecemos como colônia econômica, uma verdadeira república de bananas, submissa aos interesses estrangeiros. Nos últimos 18 anos tivemos uma experiência diferente com uma “Pseudo esquerda“ no poder, mas infelizmente, ainda foram reproduzidos os valores dos grupos de direita (patrimonialismo,rentismo, conchavos com empreiteiras para saquear o dinheiro público e etc) práticas antigas e muito comuns aos que conquistaram o poder no Brasil.

Esse cenário criou uma confusão conceitual no imaginário da população, pois a esquerda representaria a mudança, pelo menos nas propostas, pois faria uma ruptura com mazelas históricas como: latifúndios por exploração e dimensão, controle das informações (grande mídia), do sistema financeiro (grandes bancos) por oligarquias, submissão das riquezas nacionais a exploração estrangeira (privatizações), assistencialismo (populismo).

Os escândalos envolvendo corrupção já existiam, eram apenas pouco divulgados. O cenário político dos últimos 18 anos reproduziram as práticas anti-republicanas, costumeiras das agremiações partidárias nacionais.
Houve com isso, uma demonização do ideal de esquerda, uma completa confusão, ao ponto das pessoas falarem em roubar, enganar, usurpar, corromper, superfaturar como valores dos partidos políticos de esquerda.

Tal realidade consegue ser piorada quando são associados aos valores do socialismo real, implantados na antiga União Soviética, na Coreia do Norte, onde existia o totalitarismo, com partido único, falta de liberdade individual, controle da imprensa, aparelhamento do Estado, corrupção, tortura, pena de morte, um verdadeiro equívoco intelectual.

Os valores do entendimento político de esquerda devem ser relacionados a busca pelo bem estar moral e material do homem, proposta exposta desde a revolução francesa, mesmo com apelo burguês do movimento.

As lutas sociais não dependem de propostas socialistas. Na realidade, muitas conquistas sociais foram impulsionadas por movimentos trabalhistas como exercício do direito de greve, avanços na previdência social, autonomia sindical dentre outras.

Os movimentos sociais como o feminista e o homoafetivo conseguiram conquistas sem conclamar preceitos do socialismo tido como revolucionário.

O ambientalismo discute a sustentabilidade dos biomas e ecossistemas sem vislumbrar o controle político de um partido único, com repressão e censura.

Associar os ideais da esquerda ao socialismo é um equívoco intelectual, pois uma ideia não depende da outra. Militar no ideário de esquerda é lutar por uma sociedade mais justa e igualitária, contestando as injustiças sociais, respaldada pelos conflitos e insatisfações da comunidade.

Um país subdesenvolvido como Brasil precisa muito dos partidários de esquerda para lutar por inclusão social, investimentos em saúde pública, acesso à educação, ao mercado de trabalho, seguridade social, ou seja, as demandas da democracia.

Numa sociedade elitista, preconceituosa e machista como a brasileira seria muito incoerente que o entendimento predominante fosse conservador. Como ser patriota e nacionalista sem cidadania? Esse é o grande dilema nacional, por isso, se fizermos uma reflexão mais profunda, perceberemos que as demandas nacionais são as discutidas pela esquerda. E precisamos apoiar.

Se as demandas da esquerda foram conquistadas, iniciaremos o verdadeiro caminho para o desenvolvimento, ou seja, uma sociedade escolarizada poderá produzir conhecimento científico, inovações tecnológicas inúmeras patentes, valorizando assim o capitalismo brasileiro considerado selvagem.

O melhor a fazer é procurar saber quais as demandas sociais defendidas pela esquerda, pois essa luta também é nossa, afinal, queremos ou não queremos um país decente?

ME. Prof Ésio Augusto de Barros

One thought on “COLUNA DO ÉSIO BARROS: Você é de esquerda e não sabia

  1. Lembremos que o enquadramento de esquerda e direita vem de um espectro de origem nos construtores literários, Direirta: Donoso Cortez e Charles Maurra; Esquerda: Mikhail Bakunin e Karl Marx, dando destaque ao Grasmick, que tenta promover o Marxismo por destruição da família e desconstrução do cristianismo. Me considero um conservador!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *