João Azevêdo diz que Romero fará a reabertura do comércio em Campina Grande com base na “pressão”, e sem as condições necessárias

O governador João Azevêdo se posicionou novamente, nesta sexta-feira (17), contrário à decisão do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, de promover a flexibilização das ações de isolamento social na cidade, ao determinar a reabertura gradual do comércio campinense a partir da próxima segunda-feira (20). De acordo com o chefe do Executivo Estadual, o gestor municipal tomou uma decisão de forma precipitada, cedendo a pressões e sem nenhum amparo científico.

João Azevêdo argumentou que ele e os demais governadores do Nordeste estão tomando decisões com base nas informações repassadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde, com o apoio do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, que tem o amparo de 50 cientistas de importantes instituições de saúde e sanitárias.

“Recebemos relatórios diários, simulações do que pode acontecer, sobre quais são as áreas que devemos trabalhar mais rapidamente. Eu trabalho dessa forma, com informação, não posso em um momento como esse tomar decisões por conta de pressão, seja de quem for, não é assim que funciona”, ponderou em entrevista à POP FM.

“Para você começar a flexibilizar, será preciso ter todos os leitos que estão previstos no plano de contingência [do Covid-19] implantados. Campina fez isso? Não! Você tem que ter testes em número que lhe dê um perfil epidemiológico da cidade, que lhe garanta que está numa curva [de casos] descendente. Estamos na curva descendente em Campina? Não! Nós temos que ter todas as possibilidades de oferecimento de EPI para todos os funcionários, da saúde à segurança. Campina Grande fez isso? Não! Ou seja, se você não atendeu as condições, você não pode começar a flexibilizar, porque vai aumentar o número de pessoas que vão em busca dos hospitais”, complementou.

DISPUTA POLÍTICA

João Azevêdo condenou ainda os rumores de disputa política dentro dos trabalhos de combate à pandemia do novo coronavírus. “Não é a disputa dos cordões encarnado e azul, ou disputa de vontade, são dados científicos que estão em vigor. Se no Brasil morreram 1.924 pessoas até ontem, se já morreram 141 mil pessoas no mundo, é porque é uma coisa séria”, disse.

EQUÍVOCO

Por fim, o governador assegurou que não deverá mudar, no momento, as medidas de isolamento social, que visam o intuito de conter o avanço da curva ascendente da Covid-19. Ele condenou a reabertura gradual do comércio e outros segmentos em Campina Grande.

“Precisamos ter essa consciência, não vamos mudar de forma nenhuma a economia do Estado, colocando em risco a vida dos funcionários e das pessoas que vão entrar para essas lojas. É muito bom dizer vamos abrir e ficar em casa numa mansão trancado. É muito bom, e colocando em risco seu funcionário, o seu servidor ou as pessoas que vão a essas lojas. Eu sou absolutamente contrário a essa abertura nesse momento. Estamos subindo ainda essa ladeira, não chegamos ainda no topo, e flexibilizar agora é um equívoco extraordinário que está se cometendo”, concluiu.

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